Alguns elementos marcam a nossa História, principalmente quando constatamos que muitas crianças matriculadas na rede não se consideram negras, no entanto observamos que aproximadamente 70% dos estudantes matriculados na rede municipal trazem consigo raízes africanas, o mesmo ocorrendo em relação a matriz indígena também presente na formação do povo alagoano. Ressalta-se também o referencial de beleza que a sociedade impõe, e que a escola não consegue fazer o recorte desta desmistificação dos afrodescendentes e indígenas.
Ficando clara a necessidade de se fortalecer este trabalho nas escolas da rede municipal, a partir do projeto político pedagógico da SEMED/Escolas, com o propósito de implantar/implementar uma ação contínua e sistemática da Secretaria Municipal de Educação de Maceió, no âmbito da educação das relações étnico-raciais, com ênfase para o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena.
Nesse sentido, o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena se fará por diferentes meios, em atividades curriculares ou não, em que: - se explicite, busque compreender e interpretar, na perspectiva de quem o formule, diferentes formas de expressão e de organização de raciocínios e pensamentos de raiz das culturas africana e indígena; - promovam-se oportunidades de diálogo em que se conheçam, se ponham em comunicação diferentes sistemas simbólicos e estruturas conceituais, bem como se busquem formas de convivência respeitosa, além da construção de projeto de sociedade em que todos se sintam encorajados a expor, defender sua especificidade étnico-racial e a buscar garantias para que todos o façam; - sejam incentivadas atividades em que pessoas – estudantes, professores, servidores, integrantes da comunidade externa aos estabelecimentos de ensino – de diferentes culturas interatuem e se interpretem reciprocamente, respeitando os valores, visões de mundo, raciocínios e pensamentos subjetivos.
O ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena, evitando-se distorções, envolverá articulação entre passado, presente e futuro no âmbito de experiências, construções e pensamentos produzidos em diferentes circunstâncias e realidades dos povos negros e indígenas. É meio privilegiado para a educação das relações étnico-raciais e tem por objetivos o reconhecimento e valorização da identidade, história e cultura dos afro-brasileiros e indígenas, garantia de seus direitos de cidadãos, reconhecimento e igual valorização das raízes africanas e indígenas da nação brasileira, ao lado das européias e asiáticas.
A educação das relações étnico-raciais, tal como explicita o presente documento, se desenvolverão no cotidiano das escolas, nos diferentes níveis e modalidades de ensino, como conteúdo das diversas áreas de conhecimento, particularmente, Arte, Literatura e História do Brasil, conforme ressalva a Lei 10.639/03 e 11645/08, podendo ser desenvolvidas em atividades curriculares ou não, trabalhos em salas de aula, nos laboratórios de ciências e de informática, na utilização de sala de leitura, biblioteca, brinquedoteca, áreas de recreação, quadra de esportes e outros ambientes escolares.
Entendendo, a partir de Tomaz Tadeu da Silva (1999), o “currículo como documento de identidade”, o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana abrangerá, entre outros conteúdos, iniciativas e organizações negras, incluindo a história dos quilombos, a começar pelo de Palmares, e de remanescentes de quilombos, que têm contribuído para o desenvolvimento de comunidades, bairros, localidades, municípios, regiões (Exemplos: associações negras recreativas, culturais, educativas, artísticas, de assistência, de pesquisa, irmandades religiosas, grupos do Movimento Negro), numa forma de dar visibilidade às matrizes étnicas geralmente ausentes num currículo.

















