quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

III mostra de produção cultural afro é realizado na Semed

segunda-feira, 28 de novembro de 2011 


 Foto: Janaína Farias 

A III mostra de produção cultural cuja temática: negros e negras, além de Zumbi, realizada na última sexta-feira (25) na Secretaria Municipal de Educação (Semed) premiou vários estudantes e professores. A ideia é estimular o interesse dos alunos da rede municipal para uma reflexão e discussão sobre a diversidade etnicorracial por meio de produções de textos, pinturas, desenhos, poemas e crônicas. 
O evento foi promovido pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas em Diversidades Étnico-racial (Neder) e contou com a presença do Secretário Adjunto de Educação, Marcelo Nascimento, da Diretora Geral de Ensino (Digem), Maria Clara, do representante do Banco do Brasil, Quitério Matias, representantes de movimentos afro, alunos e professores. Na ocasião houve apresentações culturais de várias escolas. Alunos da banda manlengos do Ilê da escola municipal Major Bonifácio Silveira abriu a mostra com seu ritmo empolgante e contagiante. 



De acordo com a coordenadora do Neder, Rosário de Fátima a produção cultural celebrou o ano Internacional dos Povos Afro-Descendentes e ao mesmo tempo a culminância do projeto memorial João Cândido - A luta pelos direitos humanos que tem como parceiro o Banco do Brasil. O projeto por meio de uma exposição itinerante visitou diversas escolas municipais com o propósito de mostrar a vida e a luta de um homem em prol dos direitos humanos. 

Rosário explica que a mostra representa a implantação e implementação da lei 10,639/2003 que trata da diversidade étnico racial e da luta e cultura afro-brasileira. Ela ressalta que as produções desenvolvidas com essa temática estão sendo incluídas dentro do fazer pedagógico. “A mostra é um sinal que as escolas estão trabalhando o tema da diversidade étnico social na didática das aulas”, enfatiza ela. 

Cerca de 250 estudantes e 50 professores receberam um kit pedagógico como premiação. Os trabalhos desenvolvidos pelo os alunos foram orientados por professores das diversas áreas que contou com o apoio também dos departamentos de Ensino Fundamental, Arte e Cultura, Educação Infantil e outros. As produções poderiam ser vistas em duas salas reservadas para a exposição. Elas foram desenvolvidas por estudantes da educação infantil ao 9º ano. 

Em homenagem ao grande marinheiro que liderou a “revolta da chibata”, João Candido, os alunos da escola Lenito Alves realizaram uma dramatização relatando os passos de sua vida. A aluna Ester beatriz que participou da dramatização conta que para produzir essa peça foram feito estudos e pesquisas. Jailson Andrade dos Santos que representou o almirante disse que ficou encantado com a vida dele, “sua postura, sua coragem em defender seus ideais”, realça.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Semed realiza palestra sobre comunidades negras quilombolas em Alagoas

terça-feira, 9 de agosto de 2011


Foto: Mauro Fabiani


A Secretaria Municipal de Educação, por meio do Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Diversidade Étnico-Racial (Neder) realizou uma palestra proferida pelo professor de ciências sociais, historiador e mestre, Cristiano Barros, que teve como tema, as comunidades negras quilombolas em Alagoas. A palestra realizada no auditório Paulo Freire na Semed, reuniu diretores, coordenadores e técnicos pedagógicos das unidades de ensino da rede municipal.

De acordo com a coordenadora do Neder, Rosário de Fátima, o objetivo do evento foi discutir a implementação da lei n.º 10.639/03 que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, incluindo no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira. “Pela lei, os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar de forma continua”, disse.


Rosário afirmou ainda, que o Neder vem realizando diversas ações sobre o tema, junto às escolas da rede municipal. “Entregamos cópia da lei e do plano nacional e de sua implementação nas nossas unidades de ensino. A proposta é ter um trabalho contínuo dentro do currículo pedagógico nas escolas”, comentou.


Em sua palestra, Cristiano Barros falou de sua experiência junto às comunidades quilombolas em Alagoas e mostrou a importância de sua certificação como sendo o primeiro passo oficial para a regulamentação dessas comunidades. “A Constituição Federal reconheceu oficialmente a existência dessas comunidades de quilombo, não só em Alagoas, mas em todo país, além do direito de seu povo adquirir oficialmente a posse de suas terras”, informou o professor.


Para Cristiano, o que característica hoje o quilombo é a transição de escravo para o camponês livre. “A sua caracterização advém da auto-caracterização, mas infelizmente, ainda hoje, as próprias pessoas que moram nessas comunidades não conhecem o termo quilombola”, disse.


Por fim, o palestrante afirmou que apoiados na nova conjuntura política, as comunidades remanescentes de quilombos ganharam força com a mudança constitucional no processo de regulamentação de suas terras. “Desde 1988, o Estado deve emitir o título das terras ocupadas pelos remanescentes de quilombos assegurando os títulos de posse às comunidades oriundas de antigos quilombos”, concluiu Cristiano.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Morre aos 97 anos no Rio o líder negro e ex-senador Abdias Nascimento

20:40 - 24/05/2011




Abdias Nascimento: cinzas virão para área do Quilombo dos Palmares

Morreu na noite desta segunda-feira (23), no Rio de Janeiro, o ativista do movimento negro Abdias do Nascimento, 97. Ex-deputado, secretário estadual e senador, Abdias foi também pintor autodidata, escritor, jornalista, poeta e ator.

Ele estava internado desde 15 de abril no Hospital do Servidor do Rio de Janeiro e morreu de insuficiência cardíaca, segundo a assessoria de imprensa do hospital.

De acordo com Ivanir dos Santos, conselheiro do Ceap (Centro de Articulação de Populações Marginalizadas) e amigo pessoal de Abdias, o ativista foi internado por complicações de diabetes.

Segundo informações divulgadas à noite, a família deverá trazer as cinzas para Alagoas. Elas ficarão na Serra da Barriga, o local do histórico Quilombo dos Palmares.

Sua defesa dos direitos humanos dos afrodescendentes lhe rendeu uma indicação ao Prêmio Nobel da Paz em 2010.

Em março deste ano, ele esteve entre as lideranças negras convidadas para o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, no Rio de Janeiro.

Na ocasião, Nascimento afirmou : "a visita do Obama é importantíssima para aprofundar as relações entre o Brasil e os EUA. O fato deles terem eleito um presidente negro é uma lição para o Brasil".

Foi dele a sugestão de instituir, em São Paulo, o Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro desde 2006.

Política

Abdias do Nascimento foi o primeiro deputado federal do país a se dedicar à defesa dos direitos dos afro-brasileiros, de acordo com o PDT, sigla que o ativista representou no Congresso. Ele assumiu o cargo em 1983, eleito pelo Rio de Janeiro. Em seu mandato de quatro anos, segundo dados da Ipeafro (Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros), foi de autoria de Nascimento o primeiro projeto de lei de políticas públicas afirmativas da história do Brasil.

O ativista também foi suplente de antropólogo Darcy Ribeiro no Senado e assumiu a cadeira entre 1991 e 1992 e de 1997 a 1999.

Abdias nasceu em 14 de março de 1914 na cidade de Franca, localizada no interior de São Paulo, a 400 km da capital. Filho de uma doceira e de um sapateiro, viveu a maior parte da vida no Rio de Janeiro, onde se formou em economia.

Começou a militar na década de 30, quando ingressou na Frente Negra Brasileira. Em uma viagem pela América do Sul com um grupo de poetas, assistiu a um espetáculo onde um ator branco pintava o rosto para interpretar um negro.

O episódio marcou Abdias e o levou a fundar o Teatro Experimental do Negro, em 1994, após ter cumprido pena na penitenciária do Carandiruo, preso pelo governo de Getúlio Vargas por resistir a agressões racistas.

O Teatro Experimental do Negro formou a primeira geração de atores e atrizes afrodescendentes do Brasil, e também contribuiu para a criação da literurgia dramática afro-brasileira.

Abdias se encontrava nos Estados Unidos quando o regime militar promulgou o Ato Institucional nº 5 e, por causa de diversos inquéritos policiais dos quais era alvo, foi impedido de retornar ao Brasil.

Seu exílio durou 12 anos.

Além do Teatro Experimental do Negro, o legado de Abdias inclui também o Ipeafro, fundado por ele em 1981, o jornal "Quilombo", criado em 1968 e mais de 20 livros publicados durante várias décadas.

Além da indicação ao Prêmio Nobel da paz, Abdias recebeu honrarias dos Estados Unidos, Nigéria, México, Unesco e ONU. No Brasil, recebeu das mãos do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Ordem do Rio Branco, no grau de Comendador --a honraria mais alta outorgada pelo governo brasileiro.



Fonte: UOL

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Neder realiza palestra sobre Dia Internacional da Mulher

Quarta-feira, 23 de março de 2011




A Secretaria Municipal de Educação de Maceió, através do Núcleo de Estudo e Pesquisa sobre a Diversidade Étnico-Racial/NEDER realizou, nesta quarta-feira, uma palestra em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, com a seguinte temática: A mulher na Sociedade Contemporânea: Trajetórias de Vida e Identidade Étnico-Racial.


O evento contou com a participação de alguns dirigentes e coordenadores das escolas de nossa rede, a Diretoria Geral de Ensino, formadores e técnicos. Na abertura, houve a apresentação do espetáculo Nyemba (que significa semente), somado a declamação do Poema Todas as vidas, de Cora Coralina, pelo professor/técnico Paulo Roberto dos Santos.

Seguindo a proposta do momento, foi proferida a Palestra pelas professoras, Nanci Helena Rebouças Franco, Doutora do Centro de Educação da Universidade Federal de Alagoas, e Raquel Xucuru-Kariri, líder indígena da Nação Xucuru-Kariri de Palmeira dos Índios, onde falaram de suas trajetórias de vidas, destacando sua identidade negra e indígena respectivamente, as palestrantes também abordaram questões pertinentes às políticas públicas para mulheres, bem como o gênero no espaço escolar.



quarta-feira, 23 de março de 2011

Todas as Vidas

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...
Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d'água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo ser alegre
seu triste fado.
Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida -
a vida mera
das obscuras!

Cora Coralina

terça-feira, 22 de março de 2011

Espetáculo "Nyemba" se apresenta no Sesc Centro

terça-feira, 22 de março de 2011


Foto: Natalhinha Marinho


O espetáculo Nyemba da escola municipal Vereador Audival Amélio se apresentou nesta segunda feira (21), no Teatro Jofre Soares, no Sesc Centro de Maceió. Desenvolvida no programa Mais Educação do governo federal, a peça fez sua primeira apresentação fora do ambiente escolar, em comemoração ao dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial.

Escrito pela monitora de teatro, Leone Manoel, Nyemba, que significa semente, faz parte da Política Nacional de Educação Básica em Tempo Integral, que atende alunos de escolas localizadas em regiões metropolitanas com alto índice de vulnerabilidade social. A peça que integra várias manifestações culturais afro-brasileiras, mistura dança, música e teatro em um universo de cores e gingas, estampados nos figurinos e na sutileza dos passos e sons produzidos pelos alunos do 2º ao 5º ano da escola.

A apresentação que teve duração de aproximadamente 30 min. mostrou que é possível integrar as diversas modalidades artísticas em um único espetáculo, cheio de brilho e magia, mesclando o coco de roda, a capoeira e toda ginga brasileira nas danças primitivas de origens africanas com textos declamados pelos alunos, além do audio de Maria Betânia no início da apresentação.

Segundo a diretora da escola, Lourinete da Silva, os estudantes que participam do projeto demonstram estarem mais soltos e integrados em termos de comportamento no âmbito escolar. "Quanto a temática eu gosto muito porque acredito que devemos valorizar nossas raízes, e adoraria se todas as escolas pudessem fazer algo relacionado a esse aspecto", enfatiza.

O Programa Mais Educação atende na escola Audival Amélio 122 estudantes e fazem parte desse espetáculo 60 alunos de 7 a 13 anos. A peça que teve sua montagem no ano passado, fez sua primeira apresentação no dia da consciência negra para os alunos da escola, e esse ano ampliou suas apresentações para o teatro. A unidade de ensino pretende buscar inserir monitores com outras habilidades, para aperfeiçoar o trabalho que já está sendo desenvolvido.

O aluno do 3º ano, Josivaldo Rodrigues (11), toca a percussão que acompanha o espetáculo e disse estar muito alegre por se apresentar e, agradece aos professores por ajudá-lor a melhorar seu comportamento e a aprender a se desenvolver na música. Josivaldo que já tocava timbau há um ano no boi Lobo da Noite, tem limitações em uma das mãos o que dificulta na hora de tocar alguns ritmos no instrumento, mas isso não o impede de participar do grupo, visto que a intenção da escola é integrar todo alunado, dando condições iguais a todos.

Segundo o professor de percussão, Joseano da Silva, "prentendemos ainda esse ano fazer uma oficina de confecção de instrumentos com sucata". A iniciativa é para mostrar que não é necessário a aquisição de instrumentos, é possível fazer percussões com lata, galão de água, cabo de vassoura, garrafa, entre outras coisas.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Escola Luiz Calheiros realiza planejamento para 2011



O Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre a Diversidade Étnico/ Racial (NEDER)
discute o Ensino Religioso na educação infantil

De acordo com ela, a diversidade religiosa precisa ser trabalhada nas quatro matrizes: africana, ocidental, oriental e indígena. “Pelo nível dos alunos, temos que elaborar bem essa questão”, completa Genusa Lima. Por outro lado, os termos do ECA precisam ser melhor dissecados entre a equipe pedagógica devido aos vários assuntos nele contido e a sua aplicação principal, que é a defesa da criança e do adolescente.

O ensino infantil atende a crianças até os cinco anos de idade. Atualmente, a escola Luiz Calheiros Júnior possui cerca de 200 alunos matriculados para frequentarem as aulas que se iniciam no próximo dia (15). “Nessa data, os alunos serão recebidos com festa, animação e a presença de palhaços. É uma forma de estimulá-los”, considera a professora Genusa Lima.